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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O NARRADOR é a nova criação do inominável

foi importante eu ter visto a morte tão de frente. ter sentido seu cheiro, a temperatura fria não de gelo, mas da testa dura e pálida, abraçada em caixão de madeira. caíram-se as fantasias da realidade que eu sempre conheci. abriu-se uma cova e então eu vi – de relance – o interior do mundo. espantado, ele me acenou um gesto disforme, surpreso com a minha incapacidade de lidar com a brevidade da vida (que é morrer em tempo contínuo, que é ir partindo, ir se deixando passar como se passam as horas e também a correnteza de cada rio...). 
o inominável apresenta a sua nova criação, a performance o narrador, criação solo do diretor e dramaturgo da companhia, diogo liberano, a partir do ensaio o narrador – considerações sobre a obra de nicolai leskov de walter benjamin.

foto de ethel braga
neste ensaio, o pensador alemão apresenta um olhar sobre o empobrecimento do gesto de contar histórias e, por conta disso, reconhece também um empobrecimento da noção de experiência. é a partir deste ensaio que liberano escreve uma dramaturgia inédita, compartilhando com o público presente vivências próprias, todas elas relacionadas à morte de parentes e amigos. de acordo com benjamin, a morte é a sanção de tudo o que o narrador pode contar. é da morte que ele deriva sua autoridade. assim, mais do que compartilhar um olhar sobre a morte, o que se busca em o narrador é justamente partir da morte para encontrar um olhar renovador sobre a experiência da vida.

o projeto nasceu e foi criado especialmente para a abertura da terceira edição do evento janela de dramaturgia, em belo horizonte/mg, em abril de 2014 e, desde então, se apresentou em outras cidades, porém, sempre em apresentações fechadas e para poucos convidados. desde a primeira apresentação, já se somaram cerca de outras 20. mas somente em abril de 2015, o narrador chegará ao grande público ao se apresentar no festival de curitiba, a convite da companhia teatral curitibana ave lola espaço de criação. logo em seguida à curitiba, a performance chega ao rio e permanece se apresentando durante os meses de abril e maio.

já já, informações completas sobre as apresentações no festival de curitiba e sobre a temporada no rio de janeiro.

ano sete

2015 dá início ao sétimo ano de atividades do teatro inominável. como costumamos dizer, 7 anos é a idade de alice. é a idade em que os dentes todos vão rompendo a carne e se fazendo aparecer, idade em que o desejo escapole e se encontra com a vida. idade em que firmamos as nossas parcerias para seguir a ousadia que é continuar vivo e querendo alguma mudança.

pois bem, que assim seja. neste sétimo ano de atividades, a companhia seguirá se apresentando com dois espetáculos (que seguem em repertório): a comitragédia vazio é o que não falta, miranda e a tragédia sinfonia sonho. além disso, será o ano em que a nossa nova criação - a autoperformance do inominável diogo liberano, o narrador - chegará ao público (com estreia agendada para o festival de curitiba em abril e, logo em seguida, no rio de janeiro).

além disso, neste ano começamos uma nova criação com previsão para estreia em 2016. trata-se de alguma coisa a ser descoberta/inventada a partir do projeto de pós-graduação de diogo liberano, intitulado performance e teatro (inominável), projeto do programa de pós-graduação em artes da cena da universidade federal do rio de janeiro (ufrj). como costume, todo o processo será exposto em um blog (performance-teatro.blogspot.com.br).

é muito coisa, mas ainda não é tudo. o ano novo começou e com ele chega o nosso novo site - teatroinominavel.com.br - e este blog, para que possamos deixar mais evidente o nosso caminho e para que possamos ficar mais perto de quem nos interessa: vocês, inomináveis amigxs.