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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Dois Mil e Dezessete: Ano Interminável

De fato, esse ano de 2017 não vai terminar nunca. Não porque não vá terminar (está quase chegando!), mas sim porque o que vivemos nesse ano parece ter aberto questões que ainda não respondemos o bastante; questões que seguem alimentando respostas e proposições outras.

Vivemos a precarização – seria melhor assumir que se trata da “destruição” – da produção cultural junto às esferas públicas e privadas. Assunto espinhoso e difícil de contornar. Na cidade do Rio de Janeiro (para não mencionar outras cidades do estado nem outros estados e cidades do país), depois da mobilização de inúmeros artistas desde dezembro de 2016 (e bem antes disso), em junho desse ano, foi confirmado o calote monumental – e histórico! – da Secretaria Municipal de Cultura e do recém-eleito prefeito Marcelo Crivella relativo ao Programa de Fomento às Artes 2016. Em resumo, 25 milhões de reais previamente destinados à cultura da cidade e aos profissionais das artes não foram pagos.


Defesa da dissertação de mestrado "Teatro (Inominável) - Modos de Criação, Relação e Produção" de Diogo Liberano

O Inominável não havia sido contemplado por esse Programa, no entanto, não é sobre a gente nem sobre quem foi contemplado somente, é sobre uma comunidade inteira, sobre uma cidade e sua produção cultural. O calote instituído pela Prefeitura do Rio de Janeiro impossibilitou o acontecimento de uma série de projetos artísticos, minou encontros que viriam a se dar e, sobretudo, fraturou a já tão difícil odisseia da vida profissional em arte no Brasil.

É esse o cenário do ano que não terminou e nem terminará. Desmantelamento do fomento artístico municipal. E mais: espaços (públicos e privados) sendo fechados e/ou sistematicamente precarizados, censuras inúmeras travestidas de argumentos estapafúrdios etc. Esse ano não acabou nem acabará, mas tal afirmação não é uma prece para alimentar a destruição de tudo, não mesmo, é um diagnóstico, é antes o saldo de um percurso e, sobretudo, um chamado à reflexão. Mais uma vez ao artista é destinada uma pergunta sem resposta, pergunta incessante: como sobreviver através de seu trabalho? Ou, sucintamente, como continuar?


Uma das ações realizadas durante a ocupação Que Legado no Castelinho do Flamengo.

Em companhia, completando hoje, dia 29 de dezembro de 2017, nove anos de trabalho continuado, essa mesma pergunta nunca cessou de se apresentar a nós. Ela nos acompanha, faz parte do estar em companhia e do ser artista. Estamos sempre nos perguntando como continuar e confundindo, intencionalmente, a palavra “continuar” com a “começar”. Continuar para nós é sempre um começar de novo. Cientes disso, desistimos das vitórias e dos totalitarismos para escutarmos sempre de novo e renovadamente o espaço em que pisamos e o tempo e as pessoas que nos abraçam.

Por isso fizemos acontecer novos pactos e acordos, novos encontros, renovamos antigas parcerias, novos e antigos sonhos ganharam outros corpos, tudo disponível como se fosse tudo pela primeira vez (de novo). Como nunca antes, o Inominável viveu um ano repleto de ação. Um ano estranho para nós, estranho no sentido de que nos trouxe uma diferença profunda, incontornável e inominável mesmo. Ano em que nossas criações foram menos peças de teatro, menos criadas em sala de ensaio, menos “ator texto direção” e mais rua, mais cidade, mais performance, mais “aquilo que não sabemos bem o nome”.


"Quanto vale 1 corpo?" - Performance de Laura Nielsen apresentada no Que Legado e também durante a temporada de estreia de "poderosa vida não orgânica que escapa".

Para nós, o percurso desse ano de 2017 tem sim um gosto final de revelação. Mudar a criação é mudar os modos de sua produção e, sobretudo, a nossa percepção frente aos dilemas de nossa época. Por isso mudamos, porque não queremos conquistar o mundo, porque não queremos dar certo, queremos é dar gostoso, ora; seguir experimentando aquilo que nosso desejo quer colocar entre os dentes e coloca!

Ano interminável esse porque sofremos também. Bastante. Entre nós. Em reuniões semanais, fomos percebendo juntos – e, por vezes, separados – que não dizer aquilo que queríamos ter dito, certa vez, faz mal para um e para todos os outros. Ano em que a noção de confiança nos puxou pelos cabelos e exigiu de nós mais honestidade e menos corpo mole, mais presença e menos fala. Sobretudo, mais calma. Ou seguiremos juntos porque nos confiamos ou não conseguiremos ir adiante porque aquilo que estamos fazendo é junto, sempre foi e continua(rá) sendo.


André Locatelli, Livs Ataíde e Diogo Liberano em "poderosa vida não orgânica que escapa", sétima criação do Inominável com direção de Thaís Barros.

Confiança, no entanto, eu acho que percebemos isso, não é coisa pronta. É tipo uma planta num jardim que ora precisa de mais ou menos água, ora precisa de outras plantas vizinhas, ora um animal vem e a pisoteia, confiança é coisa que não dá para confiar, não se pode acostumar a ela. Porque confiança é prática. Está sempre se fazendo e refazendo. A gente segue aprendendo como faz para ser a gente, a gente não está pronto ainda e talvez pronto mesmo a gente não queira estar.

E é assim que coisas acontecem, assim fazemos com que coisas aconteçam. E algo aconteceu esse ano. Pela primeira vez, nesses nove anos, este algo aconteceu. Já sabíamos que isso era necessário, já desejávamos isso entre nós e em nossas criações, mas existem coisas que não chegam à força. E assim fizemos brotar, quase despretensiosamente, um novo projeto que nomeamos TOMA ALEGRIA. Não está pronto, mas já esteve. Não quer ficar pronto porque não é sobre isso. Essa criação foi a nossa resposta à destruição que falávamos no início desse texto. Mais que uma resposta, foi uma nossa proposta.


Gunnar Borges (acompanhado de Keli Freitas) na performance "Nada brilha sem o sentido da participação" - a performance se apresentou durante a temporada de "poderosa..." e segue, junto a "O Narrador", se apresentando em mostras e festivais pelo país.

Um propósito; uma proposta. Faz anos, desde a nossa infância, era por volta de 2011, logo após a estreia de nossa quarta criação, “Sinfonia Sonho”, vínhamos conversando sobre tirar nossas criações do universo das denúncias. Queríamos criar algo mais positivo. Nem sequer tínhamos palavras para explicar o que sentíamos. Queríamos fazer algo mais possível. Queríamos nos voltar – gastar nossa energia – não mais denunciando a merda toda (tal como a víamos), mas sim, erguendo outras construções, abrindo outras passagens, oxigenando outros ares e encontros.

Pela primeira vez, foi em 2017, talvez por tão sufocados, talvez por tão sem perspectivas, confiamos em nosso encontro e deixamos que dele brotasse algo. Fomos às praças da cidade desse Rio de Janeiro. Cada semana numa. Encontros com um pano rosa. Uns presentes, outros não. Encontros alegres, sem sentido, encontros, enfim. E assim brotou algo que só viu quem esteve ali, naquela tarde única de setembro, na PUC-Rio, quando fizemos uma “abertura de processo”. TOMA ALEGRIA não só veio como virá de novo. Quando? Deixa 2018 chegar que a gente age isso.


A convite da artista-professora Ana Kfouri, participamos de uma aula no curso de Artes Cênicas da PUC-Rio para compartilhar o aprendizado adquirido no decorrer dos anos em companhia.

Poderíamos falar do patrocínio conquistado para outra nova criação (“Yellow Bastard” estreia em junho de 2018 no CCBB Rio de Janeiro); da participação no lindo projeto “Que legado!”; da defesa de mestrado que escrevi sobre a companhia (“Teatro (Inominável) – Modos de Criação, Relação e Produção”); de um processo abortado (“Sobre a brevidade da vida”); da lindíssima temporada de nossa última criação “poderosa vida não orgânica que escapa” (2016) que é também a primeira dirigida por outro inominável que não eu, no caso, a diretora Thaís Barros; das oficinas que demos (envolvendo tanta gente interessante e interessada); da aproximação com o curso de Artes Cênicas da PUC-Rio (seja em sala de aula ou na Mostra Bosque); das viagens a alguns festivais com “O Narrador” e “Nada brilha sem o sentido da participação”; da primeira apresentação internacional que fizemos com “O Narrador” em Buenos Aires (Argentina); da criação da cena “Como continuar” apresentada no seminário sobre Samuel Beckett no Sérgio Porto; e mais um montão de coisas lindas (com certeza me esqueço de mencionar várias delas)...

O que fica? Fica o que não está pronto. Fica só o movimento e suas possibilidades. Fica a certeza movediça de que quando se acostuma o corpo tende-se a acostumar também o pensamento (e vice-versa). Fica a compreensão de que nós, inomináveis, servimos a nossa companhia, mas que ela também precisa nos servir e continuar sendo aquilo que desejamos que ela seja. Fica o desejo de que nossa companhia siga abrindo caminhos e se acompanhando de gentes novas e antigas. É isso: abrição de caminhos e fazeção de encontros e parcerias.


Registro de Thaís Barros feito durante um dos dias de criação de "Toma Alegria" na Glória/Rio de Janeiro.

Com nove anos completos, parece que só agora estamos tomando consciência e gosto pelo corpo que viemos compondo juntos; consciência chama por responsabilidade. Parece que só agora temos algum contorno que confirma aquilo que desde os começos insistentemente dizíamos: que o nosso encontro seja guiado pelo desejo e não pela definição; somos máquinas desejantes, ora, não um manual sobre como ser uma companhia teatral de sucesso.

Por que “Inominável”? Ora, porque amamos tudo aquilo que as palavras escondem. Por exemplo, a palavra “sucesso”: substantivo masculino que diz respeito ao que sucede, que diz respeito ao acontecimento, a um fato e/ou ocorrência. Ora, nesses sentidos, somos sim uma companhia de sucesso. Uma companhia refém e amante-amadora dos acontecimentos! Como então vamos querer fechar sentidos e determinar caminhos se não vivermos o que ainda está aí para ser experimentado?


"El Narrador", "O Narrador", em apresentação realizada no Teatro Nacional Cervantes, dentro da programação da feira de livros "Volumen - Escena Editada" em Buenos Aires (Argentina).

Escrevo essas palavras e me emociono com o filho que hoje completa nove aninhos. Ele me olha desconfiado por usar o diminutivo. Eu o miro novamente e entre as peripécias de seus sonhos (que nem faço ideia de quais sejam) consigo vislumbrar sua coragem para desprogramar tudo aquilo que um dia eu pensei que ele pudesse ser e fazer. Por isso, destemido como ele, desejo que tudo isso que aqui foi escrito seja concordado e condenado, seja transformado e transmutado nos próximos dias e meses. Para que a gente siga ainda vivo e destemido, para que a contradição não nos apavore e sim nos impulsione ao incansável exercício da conversa e da escuta, do diálogo e da produção de imagens e gestos.

Dá trabalho estar em companhia. Por isso trabalhamos tanto. E por isso não nos falta trabalho: porque estamos juntos.


Andrêas Gatto, Laura Nielsen, Diogo Liberano e Flávia Naves em "Como continuar", uma experiência a partir de um conto de Samuel Beckett e que realizou única apresentação no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.

À amizade e ao amor.

Adiante, Teatro Inominável.

Encontro de final de ano no apartamento do Gunnar - O Teatro Inominável é Thaís Barros, Flávia Naves, Gunnar Borges, Natássia Vello, Adassa Martins, Clarissa Menezes, Márcio Machado, Laura Nielsen e Diogo Liberano.



Por Diogo Liberano
Diretor artístico e de produção do Teatro Inominável 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

COMO CONTINUAR


Única apresentação. Participando do Seminário Em Cia de Samuel Beckett a convite da professora Tatiana Motta Lima (UNIRIO).

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Oficina de Direção Teatral \\ com Diogo Liberano e Thaís Barros

Como outra ação complementar à temporada de estreia de “poderosa vida não orgânica que escapa”, que segue em cartaz até 24 de setembro de 2017 no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), o Teatro Inominável realizará uma OFICINA DE DIREÇÃO TEATRAL com Diogo Liberano e Thaís Barros, integrantes da companhia e diretores teatrais.



Durante os quatro domingos do mês de setembro, sempre de 14h às 17h na Sala de Cursos do CCJF, Barros e Liberano irão propor discussões e investigações acerca da direção teatral a partir de vivências em diferentes processos de criação tanto junto à companhia como também fora dela. Nos quatro encontros serão desdobradas questões sobre a posição do diretor de teatro em um processo criativo, o trabalho com e a partir da intuição, as diversas relações com o texto e o corpo, as noções de autoria e partilha de autoria, bem como procedimentos para a sala de ensaio e também para a criação de um espetáculo teatral.

Como metodologia da oficina, além da leitura e estudo de textos relativos à direção teatral (e, como prática do Inominável, também leituras de textos filosóficos), serão propostas atividades a partir da análise de alguns espetáculos e o esmiuçar de suas poéticas cênicas. A oficina não é restrita apenas aos que tiverem interesse na direção teatral, mas também a qualquer um que tenha o interesse em ampliar discussões sobre composição teatral e expansão dos próprios limites do fazer teatral hoje.

\\ OFICINA DE DIREÇÃO TEATRAL COM DIOGO LIBERANO E THAÍS BARROS

De 03 a 24 de setembro de 2017
Domingos de 14h às 17h na Sala de Cursos do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
Avenida Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro/RJ

\\ INSCRIÇÕES

De 18 de agosto a 02 de setembro de 2017
Valor: R$ 200,00 (duzentos reais)

\\ DIOGO LIBERANO

É ator, diretor e dramaturgo graduado em Artes Cênicas – Direção Teatral e Mestre em Performance e Teatro pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor da Faculdade CAL de Artes Cênicas, dramaturgo- coordenador do Núcleo de Dramaturgia SESI Rio de Janeiro e diretor artístico e de produção da companhia carioca Teatro Inominável, junto a qual assina a curadoria e a direção artística da Mostra Hífen de Pesquisa-Cena, Mostra Bienal de Artes da Cena. Como dramaturgo, acumulam-se cerca de 30 peças escritas e encenadas. Como diretor teatral, dentre 20 peças encenadas, destacam-se: “Sinfonia Sonho” (2011), “Vermelho Amargo” (2013), de Bartolomeu Campos de Queirós, com interlocução artística de Vera Holtz; “Uma Vida Boa” (2014), de Rafael Primot; “O Narrador” (2015); “A Santa Joana dos Matadouros” (2015) com Marina Vianna; “Amanda” (2016), de Jô Bilac, em direção compartilhada com Rita Clemente; e “O Leão no Aquário” (2017) com a Minha Nossa Cia de Teatro de Curitiba/PR. Por seu trabalho, foi indicado aos principais prêmios de teatro do Rio de Janeiro: Prêmio Shell (em 2015, pela dramaturgia de “O Narrador” e, em 2016, pela de “Os Sonhadores”), Cesgranrio (em 2015, pela dramaturgia de “O Narrador” e pela direção de “A Santa Joana Dos Matadouros”, junto com Marina Vianna e, em 2016, pela dramaturgia de “Os Sonhadores”), APTR (em 2013, pela dramaturgia de “Maravilhoso”) e Questão de Crítica (em 2012, pela direção de “Sinfonia Sonho” e pela curadoria e direção artística da primeira edição da Mostra Hífen de Pesquisa-Cena).

\\ THAÍS BARROS

Diretora e iluminadora teatral graduada em Artes Cênicas – Direção Teatral pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante da companhia carioca Teatro Inominável. Junto à companhia, foi diretora assistente e iluminadora dos espetáculos “Vazio é o que não falta, Miranda” e “Sinfonia Sonho”, ambos com direção dramaturgia-direção de Diogo Liberano. Com essas criações, realizou inúmeras temporadas no Rio de Janeiro e apresentações diversas em festivais e mostras pelo Brasil, tais como: Festival de Teatro de Curitiba (PR), Tempo Festival (RJ), Mostra Rumos Cultural – Itaú Cultural (SP), FIT de São José do Rio Preto (SP), Festival Palco Giratório (Porto Alegre/RS), TREMA Festival de Teatro (Recife/PE), dentre inúmeros outros. Em 2015, foi assistente de direção e iluminadora de “Isso é um convite” do Coletivo Errante (RJ), com direção de Davi Palmeira e Dominique Arantes, recebendo o prêmio de Iluminação junto a Lívia Ataíde no Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau (SC). Em 2016 dirigiu a sétima criação do Teatro Inominável, “poderosa vida não orgânica que escapa”, que também foi seu espetáculo de formatura na UFRJ.

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sábado, 22 de julho de 2017

Oficina de Dramaturgia \\ com Diogo Liberano


Como uma das ações complementares à temporada de estreia de “poderosa vida não orgânica que escapa”, que acontecerá de 04 de agosto a 24 de setembro de 2017 no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), o Teatro Inominável realizará uma OFICINA DE DRAMATURGIA com o diretor artístico e de produção da companhia, Diogo Liberano.




Durante os quatro domingos do mês de agosto, sempre de 14h às 17h na Sala de Cursos do CCJF, Liberano propõe uma investigação sobre dramaturgia junto a uma turma de 15 integrantes. Nos quatro encontros, a partir da dramaturgia de “poderosa vida não orgânica que escapa”, passando pela nova criação da companhia “Yellow Bastard” (que estreia em junho de 2018), se investigará a criação dramatúrgica como um modo de inserir alguma diferença na dita “realidade”. Tal investigação parte de criações da companhia e de estudos que Liberano vem realizando como dramaturgo-coordenador do Núcleo de Dramaturgia Sesi Rio de Janeiro.

Como metodologia da oficina, além da sugestão de leitura de peças teatrais e referências diversas (sobre dramaturgia, filosofia, performance e teatro), também serão propostas atividades para a prática da escrita e para o desenvolvimento de intuições dos que participarem da oficina. Não restrita a escritores nem unicamente a quem pratica a escrita, a oficina estende-se a qualquer um que tenha o interesse em ampliar discussões sobre dramaturgia e expandir a própria noção de dramaturgia.

\\ OFICINA DE DRAMATURGIA COM DIOGO LIBERANO

De 06 a 27 de agosto de 2017
Domingos de 14h às 17h na Sala de Cursos do Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
Avenida Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro/RJ

\\ INSCRIÇÕES

De 21 de julho a 04 de agosto de 2017
Pelo e-mail teatroinominavel@gmail.com
Valor: R$ 200,00 (duzentos reais)

\\ DIOGO LIBERANO

É ator, diretor e dramaturgo graduado em Artes Cênicas – Direção Teatral e Mestre em Performance e Teatro pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É professor da Faculdade CAL de Artes Cênicas, dramaturgo- coordenador do Núcleo de Dramaturgia SESI Rio de Janeiro e diretor artístico e de produção da companhia carioca Teatro Inominável, junto a qual assina a curadoria e a direção artística da Mostra Hífen de Pesquisa-Cena, Mostra Bienal de Artes da Cena.

Como dramaturgo, dentre quase 30 peças escritas e encenadas, destacam-se: “Sinfonia Sonho” (2011) do Teatro Inominável; “Maravilhoso” (2013) com direção de Inez Viana; “LaborAtorial” (2013) em comemoração aos 25 anos da Cia dos Atores, com direção de Cesar Augusto e Simon Will; “O Narrador” (2014) do Teatro Inominável; “Inquérito” (2015), dramaturgia que integra o espetáculo “Real – Uma Revista Política” grupo Espanca! de Belo Horizonte/MG; “Os Sonhadores” (2016) dirigida por Viniciús Arneiro; e “Janis” (2017), monólogo musical dirigido por Sergio Módena e publicado pela Editora Cobogó.

Por seu trabalho, foi indicado aos principais prêmios de teatro do Rio de Janeiro: Prêmio Shell (em 2015, pela dramaturgia de “O Narrador” e, em 2016, pela de “Os Sonhadores”), Cesgranrio (em 2015, pela dramaturgia de “O Narrador” e pela direção de “A Santa Joana Dos Matadouros”, junto com Marina Vianna e, em 2016, pela dramaturgia de “Os Sonhadores”), APTR (em 2013, pela dramaturgia de “Maravilhoso”) e Questão de Crítica (em 2012, pela direção de “Sinfonia Sonho” e pela curadoria e direção artística da primeira edição da Mostra Hífen de Pesquisa-Cena).

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Teatro Inominável estreia a peça “poderosa vida não orgânica que escapa”, sobre um edifício no centro de uma grande cidade que resolve desabar

Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) apresenta a temporada de estreia que vai de 04 de agosto a 24 de setembro de 2017

Com oito anos de existência e trabalho continuado no Rio de Janeiro, a companhia carioca Teatro Inominável, com direção artística e de produção de Diogo Liberano, apresenta a temporada de estreia de sua sétima criação, o espetáculo poderosa vida não orgânica que escapa, com dramaturgia de Liberano e direção de Thaís Barros. Durante oito semanas, de 04 de agosto a 24 de setembro de 2017, sempre de sexta a domingo às 19h, o Centro Cultural Justiça Federal recebe em seu palco esta nova criação que buscou na linguagem das histórias em quadrinho o seu estopim criativo.


O espetáculo estreou em novembro de 2016 integrando a XVI Mostra de Teatro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e concluindo a formação da diretora Thaís Barros em Artes Cênicas: Direção Teatral – Foto de Thaís Grechi.

Criada pelo renomado quadrinista americano Will Eisner, a graphic novel “O Edifício” (1987) inspirou a criação do Inominável ao apresentar a vida melancólica e solitária de pessoas que frequentavam um mesmo edifício numa grande cidade. A partir dessa referência, poderosa vida não orgânica que escapa apresenta um pequeno e velho edifício de três andares no centro de uma grande cidade. É “ele” o protagonista da história apresentada, “aquele” que vê, sente e ouve tudo o que acontece em seus interiores e também em seu exterior. É a partir dessa “sensibilidade” do edifício que, num dia, ele vem ao chão, decidindo desabar e levando consigo seus três moradores.

Criada originalmente por Diogo Liberano, indicado aos prêmios Cesgranrio e Shell em 2015 pela dramaturgia da performance “O Narrador” (criação anterior do Teatro Inominável), a dramaturgia de poderosa vida não orgânica que escapa busca ressaltar outros tipos de vida que não apenas a humana. Para isso, aposta no ponto de vista de um pequeno edifício que, num dado momento, se revela perplexo frente aos vícios e fraquezas do ser humano.


 A iluminação de Diogo Liberano e Thaís Barros, essencialmente feita através do uso de lanternas, amplia pequenos objetos que, através da sombra, ganham uma dimensão maior – Foto de Thaís Grechi.

Em sala de ensaio, a diretora Thaís Barros investigou, junto ao elenco e à equipe de criação, maneiras diversas de transpor a linguagem dos quadrinhos para a cena teatral. Nas palavras dela: “A linguagem dos quadrinhos sempre me entusiasmou principalmente por imergir o leitor no universo particular de cada narrativa e ao mesmo tempo fazer com que sua própria imaginação complete todas as lacunas que ficaram em branco. É longe de ser uma história com figuras”.

Assim, encontrou-se uma encenação em que o espaço vazio do palco vai sendo, progressivamente, preenchido pelo jogo de deslocamentos e trajetórias dos três atores (André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde), pela composição de luzes e sombras e, sobretudo, pela atmosfera musical composta originalmente por Rodrigo Marçal, importante colaborador do Teatro Inominável.
Nas palavras do dramaturgo Diogo Liberano, em poderosa vida não orgânica que escapa “fazemos uma crítica à condição humana que segue rendida por posturas carregadas de culpa, egoísmo e intolerância. Diante dessas posturas, pensa o edifício, seria melhor deixar de ser, não? O gesto deliberado de vir ao chão – tomado pelo edifício – manifesta não uma desistência na raça humana, mas um chamar de atenção para os rumos que a humanidade, na contemporaneidade, parece estar tomando”.


No elenco da temporada de estreia no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF): André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde – Foto de Thaís Grechi.

Além do dramaturgo Diogo Liberano e da diretora Thaís Barros, outros integrantes do Teatro Inominável marcam forte presença nessa nova criação. Andrêas Gatto, Gunnar Borges e Márcio Machado assinam a direção de movimento do espetáculo. Juntos, eles investem num trabalho que busca nas oposições corporais e no jogo entre equilíbrio e desequilíbrio um modo criativo e expressivo de manifestar no corpo dos atores-personagens a instabilidade do edifício prestes a ruir.

A produção do espetáculo também é assinada por outra integrante da companhia, Clarissa Menezes, reforçando o trabalho coletivo e autoral do Inominável. Para ela: "Trabalhar com arte e estar em cartaz com uma peça teatral hoje em dia é um ato de resistência e também de insistência. Quando tudo parece desmoronar e, de fato, desmorona, escolhemos criar como um modo de responder e enfrentar esses tempos difíceis em que vivemos".

Ações complementares à temporada da peça

Nada brilha sem o sentido da participação
Ação artística literária-dançada a partir do poema
"Conversa com a Pedra" de Wislawa Szymborska
Criação e performance: Gunnar Borges
De 05 de agosto a 23 de setembro de 2017
Sábados às 18h30 no hall de entrada do CCJF
Duração: 15 minutos | Entrada Gratuita

Quanto vale 1 corpo?
Performance criada a partir do espetáculo "Concreto Armado" do Inominável, traz à tona restos, ruínas e ruídos desta criação da companhia que insiste em se manter viva
Criação e performance: Laura Nielsen
De 06 a 27 de agosto de 2017
Domingos às 18h30 no hall de entrada do teatro do CCJF
Duração: 15 minutos | Entrada Gratuita

Oficina de Dramaturgia
Com Diogo Liberano
De 06 a 27 de agosto de 2017
Domingos, de 14h às 17h, na Sala de Cursos do CCJF
Inscrições de 21 de julho a 04 de agosto de 2017 através do e-mail
Valor: R$ 200,00

Oficina de Direção Teatral
Com Diogo Liberano e Thaís Barros
De 03 a 24 de setembro de 2017
Domingos, de 14h às 17h, na Sala de Cursos do CCJF
Inscrições de 17 a 31 de agosto de 2017 através do e-mail
Valor: R$ 200,00

Equipe de Criação

Dramaturgia: Diogo Liberano
Direção: Thaís Barros
Atuação: André Locatelli, Diogo Liberano e Livs Ataíde
Direção Musical: Rodrigo Marçal
Cenário: André Locatelli, Eduardo Ferrera, Livs Ataíde, Pedro Henrique Müller e Thaís Barros
Figurinos: Bárbara Faccioli e Juliana Valle
Direção de Arte: Marcela Cantaluppi
Direção de Movimento: Andrêas Gatto, Gunnar Borges e Márcio Machado
Colaboração de Movimento: Natássia Vello
Iluminação: Diogo Liberano e Thaís Barros
Orientação de Direção: Jacyan Castilho
Orientação de Figurino: Suely Gerhardt
Assistência de Direção: Ana Paula Gomes
Assistência de Iluminação: Gabriela Villela e Luiz Buarque
Registro Audiovisual e Fotográfico: Thaís Grechi
Design Gráfico: Diogo Liberano
Bilheteria: Waldivia Juncken
Assessoria de Imprensa: Teatro Inominável
Produção: Clarissa Menezes
Realização: Teatro Inominável e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Serviço

poderosa vida não orgânica que escapa[1]

Temporada: de 04 de agosto a 24 de setembro de 2017
Dias e horário: sextas, sábados e domingos, sempre às 19h
Local: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Telefone: 3261-2565
Bilheteria: de 16h às 19h

Sinopse: No centro de uma grande cidade, um pequeno e velho edifício de três andares decide desabar levando consigo seus três moradores. Imagine se as coisas começarem a fazer isso com os que se autonomeiam seus criadores.
Classificação Indicativa: 12 anos.
Duração: 60 minutos.
Gênero: drama.




[1] O título do espetáculo é redigido todo em letras minúsculas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017